Paula Miranda em Histórias de mãe


Todas nós, mães, vivemos histórias de amor, superação e muita emoção!!

Neste novo quadro “Histórias de mãe” vamos conhecer alguns relatos sobre a maternidade, momentos que marcaram a vida de algumas pessoas, histórias que irão nos emocionar!

Para começar, trago a história da Paula Miranda, blogueira, mãe do Igor e da Nina, uma pessoa mais que iluminada, que tenho o prazer de conhecer! Sua história  fará vocês refletirem e com certeza darem mais valor aos momentos com os filhos!! Abaixo segue o relato da mamãe Paula:
 “Me mudei para os EUA com meu filho único Igor de 3 anos e 10 meses por conta da profissão do meu marido, ele é lutador de MMA, lá o sonho parecia mais perto. Vendemos tudo que tínhamos aqui, tudo mesmo, fomos embora com duas malas e um sonho… Ficamos hospedados na casa do dono da academia onde meu marido treinava diariamente, família com dois filhos, um de 12 e um de 10 anos, para o Igor foi a glória, ele convivia com os meninos e aprendia rápido, já soltava umas frases em inglês rsrsrsr… Claro que passávamos por dificuldades, mas tínhamos um ao outro. Desde que me casei com Vitor, decidi buscar esse sonho ao seu lado e foi isso que fizemos e fazemos até hoje…
Na manhã do dia 20 de junho de 2011, acordei cedo e fui correr, quando voltei meus amores ainda dormiam, preparei o café da manhã deles, passamos a manhã juntos, almoçamos e assistimos um filme os três, grudadinhos no sofá! Nessa época eu havia acabado de criar o Blog, de lá, vendia maquiagens para as brasileiras, uma forma de tentar ajudar na renda já que não trabalhava ainda. Assim que o filme acabou, Vitor, meu marido, se ajeitou para o treino, se despediu e partiu, mas antes, ele deixou 5 biscoitos para o Igor, que comeu ao meu lado no sofá… Só que nós não dormíamos na casa principal, lá, apenas usávamos a cozinha e a sala, dormíamos na casa da piscina, como uma peça com quarto e banheiro fora da casa, lá era nosso canto, dormíamos os 3 no chão. Assim que Igor acabou de comer os biscoitos que papai deixou, ele pediu mais e essas guloseimas (dele no caso) ficavam guardadas no quarto de fora, onde dormíamos… Ele me pediu:  “Posso buscar mais biscoitos?” eu respondi que sim, mas que viesse rápido…
Foi a última vez que vi meu filho com vida…
Dei falta dele uns 5 ou 6 minutos depois… Em um sobressalto, pulei do sofá e disse mentalmente: “a piscina!’ Mas já era tarde…. Da porta onde eu avistava a piscina, não pude ver o corpo dele lá dentro, mas vi seu par de chinelos boiando e tinha a certeza que ele estava lá… Não pensei, apenas pulei… Eu não sei nadar, mas me joguei dentro daquela água e quando abri os olhos, vi meu filho de bruços já no fundo… Em milésimos de segundo pensei: “isso é bom, se está no fundo acabou de cair, posso salvá-lo” puxei ele com todas as minhas forças para fora da piscina e quando olhei para ele só conseguia gritar a DEUS “não, não, não, meu filho não!!” Ele estava azul… Com os olhos semi cerrados e sem nenhuma reação… Em uma tentativa desesperada de salvar meu filho, apliquei as massagens cardíacas e a respiração boca a boca, tudo isso ao mesmo tempo que ligava para meu marido aos gritos… Gritos esses que jamais consigo esquecer o som, o som da minha própria voz… No mesmo instante Vitor acionou o 911 e eu continuei ali, de joelhos, sozinha em cima daquele que era tudo que eu tinha na vida, meu único e precioso filho, tentando com todas as minhas forças fazer ele ter uma reação que fosse… Sem sucesso, peguei ele no colo e saí pelas ruas do condomínio gritando por ajuda, foi quando um casal parou e aplicou as mesmas tentativas que eu já havia feito, nesse momento a ambulância chega e imediatamente eles constatam a gravidade e aplicam choques sobre o pequeno peito dele… Sem sucesso… Como uma tentativa de último recurso, aplicam uma injeção de adrenalina em seu pequeno coração e conseguem poucos batimentos… Nesse momento Vitor chega e eu jamais vou esquecer a cena do meu marido de joelhos no asfalto chorando e dizendo “nosso filho não, nosso filho não”.
Ali começou uma saga de 4 dias…
Igor foi levado para o melhor hospital de Boca Raton, teve acesso aos melhores especialistas, exames, recursos que vocês possam imaginar. Durante esses 4 dias a comunidade brasileira da cidade se comoveu e passamos a receber mensagens e visitas de pessoas que nunca havíamos visto, enquanto isso, pelo facebook (única forma de comunicação com nossos familiares) acontecia a maior corrente de orações que já presenciei…  Mas não somos nós que decidimos nada, na verdade, não somos nada… Na noite do dia 23, as 3:00 da manhã, eu fui até a UTI e segurei a mão dele ainda quente e disse: “meu filho, eu e papai vamos sofrer muito sem você aqui, mas se você precisa partir, vá…” Fiz isso porque queria meu filho perfeito e feliz, livre e sabia que naquela vestimenta carnal isso não seria mais possível… Na manhã do dia 24/06/2011 dia em que ele faria 4 anos, ele partiu…

 O que ele nos deixou? Ah… tantas lições, tanto amor, tanta força, tanta paz…
Enterrei meu filho lá, pois na época era inviável trazê-lo para o Brasil e assim foi feito… Eu vi meu filho pela última vez dentro de um caixão branco, uma cena que jamais sai dos meus pensamentos…
Após 2 anos de eu tive a Nina, nosso renascimento, nossa alegria e vida! Hoje eu sorrio novamente, voltei a viver, mas posso dizer que não existe um dia em minha vida que toda essa cena não passe como um filme para mim… Eu choro escondida, eu não demonstro minha dor, porque eu decidi viver a minha vida, da melhor maneira possível, mas sem jamais deixar a memória dele partir, por isso eu escrevo, por isso desabafo com vocês, porque essa é minha história, minha vida, muito viva aqui dentro!


Eu falo do Igor como se ele estivesse aqui, quando vejo algo que sei que ele iria gostar, quando vejo um garoto parecido com ele, quando passo pelo biscoito na gôndola do supermercado, mas ninguém vê isso, só eu e meus pensamentos…
Ao passar por uma experiência dessa você é transformada para sempre e de uma forma brutal! O mundo passa a ter outro sentido e a vida muda para sempre… Eu sei que estarei velhinha chorando de saudade, porque para uma mãe, o tempo não passa…


Minha dor não é maior que todas, eu não sou melhor que ninguém, essa é apenas a minha história!”
 
 
 
Comentários
21 Comentários

21 comentários:

  1. Nossa Paula não tenho nem palavras para descrever o que senti lendo a tua história, uma experiência de luta, de dor, de superação e um amor que você vai levar para sempre, agora com a pequena Nina para trazer novos sorrisos...
    Bjs

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  2. Ai Paula nem em pensamentos
    posso imaginar o tamanho de sua dor
    não contive minhas lágrimas te lendo
    nada nem ninguém vai tomar lugar
    de Igor na vida de vocês,
    parabéns por sua garra, por ter ajudado
    ele ir, como você é forte menina
    parabéns a Nina é linda e um presente
    maravilhoso de Deus
    Linda Noite!!
    beijokas da Nanda

    Mamãe de Duas

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  3. Não consegui conter as lágrimas só de imaginar a dor que você passou e passa, mas Deus em sua infinita sabedoria tem poder de amenizar todas as coisas, PARABENS, pela força e por não desistir de seguir em frente.
    Beijos
    ADRI

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  4. Olá Paula, olá Melissa!

    Difícil até começar a escrever alguma coisa. A gente sente tanto, imaginando tudo que você descreveu, que fica anestesiada. Perdi meu pai há 6 meses. Foram 17 meses de sofrimento após um infarto e foi um pedaço grande de mim junto com ele. Ele era meu amigão, cúmplice. Um pai super presente...

    Um filho, imagino que não deve ir embora um pedação da gente, mas quase a gente inteira junto. O amor de mãe e pai por um filho, é uma coisa que não se descreve... É um sentimento infinito!

    Mas o que mais me admira nessa história é sua força e seu sorriso. Uma força de mãe que sente a dor mais profunda, mas também renasce da alegria mais uma vez com um novo anjo para cuidar e amar..

    Deus te abençoe e continue amenizando seu coração. Só Ele e o tempo para nos aliviar!

    Abraços apertados.

    Teresinha. <3

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    1. Obrigada Teresinha!!Realmente a Paula é uma guerreira e a Nina uma criança incrível, doce e carinhosa, que eu tenho a oportunidade de conviver!!

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  5. Chorei litros!!
    Não consigo imaginar a cena e a situação... é muita dor, sofrimento.
    Somente Deus pra confortar e consolar todos os dias!
    História forte, de uma mãe guerreira e que hoje tem a pequena nos braços o que alivia e conforta, mas como bem disse a lembrança do pequeno Igor será pra sempre.
    bjs


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  6. Nossa Paula, imagino sua dor, me desabei em lágrimas lendo sua postagem.

    Parabéns por buscar força, por que eu não sei se conseguiria viver sem meu filho..

    Que Deus abençoe sua família!!

    Beijos

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  7. Nossa deve ser uma dor inexplicável, pois perder uma mãe, parente já é muito dolorido, imagino um filho, com certeza Deus fez o que seria melhor para ele, e para vocês continuarem a sorrir ele trouxe essa menina linda para alegrar o dia de vocês ...

    Beijos Mi Gobbato
    http://espacodasmamaes.blogspot.com.br/

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  8. Nossa que historia emocionante, cheia de garra. Mulher guerreira que no final recebeu a sua recompensa eterna =)

    http://meus-sonhos-meus-pesadelos.blogspot.com.br/

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  9. Toda vez q eu leio a história da Paula me emociono muito. Choro demais! Minha filha tb se afogou mas conseguimos reanimá-la a tempo. Foi muito difícil e sofrido. Agradeço a Deus sempre por ter me permitido viver mais anos ao lado dela. Paula é uma guerreira, q superou a dor e transformou em amor com a Nina linda. Igor nunca será esquecido

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  10. Só mesmo Deus para sustentar a todas as mães órfãos. Paula o Igor agora brinca em ruas de ouro e te espera para juntos permanecerem na vida eterna. ... essa sim, sem nada que os separe fisicamente, porque emocionalmente vocês estão juntos diariamente.

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  11. Emocionada e mais admirada por essa guerreira

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  12. Chorei muito lendo esse relato e sou solidária aos seus sentimentos. Que dor perder um filho e dessa forma. As crianças são rápidas e imprevisíveis.
    Que Deus abençoe a sua família.

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  13. Nossa me emocionei imagino a dor q vc deve tá sentindo meu Deus ....😢

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  14. Nossa depois de ler seu post, fiquei pensativa imaginando sua situação, durante a leitura por várias vezes me emocionei.
    bjcas
    http://www.estou-crescendo.com/

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  15. Paula, chorei com seu relato e o que mais posso dizer? Que você é uma guerreira, e uma vitoriosa. A dor que você sente só você sabe, mas imagino como você está
    Beijos no seu coração, nós mamães do mundo todo estamos ao seu lado

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  16. Nossa, que história! Chorei, como não chorar? Não imagino a sua dor e a eterna luta da aceitação, pois acho que a perda de um filho ninguém supera. Aceita. Deus sabe o que faz e eu acredito que viemos aqui aprender a sermos melhores. Tenho certeza que seu pequeno te ensinou tanto nesse tempo e talvez essa fosse a missão dele. Força e coragem vc tem de sobra, então te desejo amor e saúde para tocar a vida!
    Beijo

    querendoserblogueira.blogspot.com.br

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  17. Nossa to morrendo de chorar sem se quer conseguir imaginar o q é a dor q essa mae senti. Que Deus sempre esteja junto confortando o coração dela.

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  18. Nossa, que historia! Estou aqui escrevendo e chorando, nem posso imaginar a sua dor, o seu sofrimento! Só de ler já me doi. Como vc disse para uma mãe nunca se esquece do filho. Você estará em minhas orações, que Deus conforte seu coração.
    E viva sua vida junto com sua linda princesa!

    Beijos
    Gleysa
    www.demamaeursa.com

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